Walking Thru Walls

December 2, 2016

 

 

Mais uma 'confissão' com o encontro com uma dakini que tive ja ha mais de um ano... mas foi tão 'ego-knocker' que deixei quieto - foi esmagador e ainda penso como seria encontra-la de novo.

2015 Marina Abramovic veio ao SESC Pompeia, SP. Eu estava morando em Brasilia. Peguei um avião para poder participar do Metodo e suas palestras. Passei o dia todo la, me comovendo muito com o 'slow down' de cada performance e cada proposta de presença de cada Metodo... e me preparando para encontra-la de noite e poder ir ao microfone ao final e falar com ela. A pergunta não seria muito relevante. Eu queria me conectar com ela e eu queria que ela me visse. Mas só de pensar em falar no microfone, estar diante da minha musa de olhar desnudo e intimidador que takes no shit... eu ja tremia ao pensar. Escrevi a mao varias vezes o que diria... uma onda de desejo que ela me visse, me pegasse no colo, me achasse especial... me invadiu. Escrevi uma pagina inteira!

Bom, depois da maravilhosa palestra dela, enfrentei meu medo, sendo a primeira a chegar no microfone, pra ja ir chutando o 'vai-nao-vai'. A assistente me sussurrou para nao me demorar e que iam usar o tradutor simultaneo, sendo que eu ja tinha escrito e pensando tudo em ingles. Tremi. Comecei a falar, falar, falar... do tipo de tudo que ja fiz, de tudo que acho que teriamos em comum no sentido de ver a arte como despertar espiritual etc e tal. E ela me interrompe: 
"Darling, what was your question?"


Me derreti em corpo ereto, olhar paralisado. Gaguejei a pergunta em frente de um publico possivelmente impaciente também... fiz a pergunta, ela respondeu brevemente e ao final, estendi tremula os presentes que eu tinha juntado para ela, livros, talisma de cristal, pintura, cartas - hehehehe. Ela os pegou na mão, agradeceu com um abraço, e eu feito 'bob esponja' absorvendo sua presença. 


Quando me sentei de volta na cadeira, meu esposo, que é meu maior apoiador em tudo, olhou serio, quieto e respirou fundo e foi meio que ai que 'caiu a ficha', chorei horrores. Como pude falar só de mim, como pude pensar que ela me pegaria no colo aquele exato momento? Fiz o maior papel de idiota, criança...

 

Bom, conclusão. O video que foi gravado da palestra, nunca nem fui olhar. O livro dela que eu estava devorando, não conseguia mais engolir. Mas a percepção que algo havia acontecido de profundo em minhas sombras... estava claro. Na verdade ela não fez nada... ela foi ela. Estava ali, presente. (Hoje estou lendo o "walking thru walls" dela)


Acho que quando vamos de encontro com nosso mestre, o mestre de verdadeira conexão, a gente se desnuda de todas as mascaras, é incrivel. É como se perdemos a capacidade de manter qualquer energia artificial de alguma mascara. Ele tira, ali, na hora. Aguente se aguentar, afinal, voce chegou até mim. Afinal voce esta de coracão aberto. Afinal, coracões abertos se transformam e transfomrações são doloridas, são expostas, não são vangloriadas e ninguem vai aplaudir. O mestre-dakini não jubila seu ego, suas mascaras, seus 'meritos', ele esta lá para questionar e ver se apesar de tudo, voce continua de pé. Pois o que continua erguido naturalmente, é porque não havia esforço em manter. Tipo, ninguem mantem esforço em manter a cor dos olhos... mas esforça-se sim em manter a postura, a roupa, o peso... mas o que é que é natural do seu ser? É isso... ela fala com os ossos.

 

Fantasio com um segundo encontro. Para mim, mesmo sendo pintora... a performance é o apse do artista, quando ele não mais só exterioriza a arte, mas ele se torna a arte.

 

Marina Abramovic.

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