Historia da Arte no Tibete

October 9, 2015

 

Aqui compartilho com voces um resumo para entender como se deu inicio da arte budista dentro do Tibete. Entendendo a historia do país, da religião, podemos ver o sentido mais profundo da existencia dessa iconografia. 

 

Thangka de Guru Rimpoche e ao lado suas consortes: Mandarava e Yeshi Tsogyal. Foto: cortesia Tricycle

 

 

COMO O BUDISMO COMEÇOU NO TIBETE
Interpretação e tradução por Tiffani Gyatso

(ref.: buddhism.about.com and the metropolitan museum)

 

Para entender como a arte tibetana se formou, é fundamental estudarmos o inicio e desenvolvimento do budismo no Tibete.

Antes do budismo ser introduzido no Tibete, prevalecia a religião xamanica nominada Bon. O budismo foi notado no Tibete no ano de 641DC quando o rei Songtsen Gampo casou-se com a princesa Bhrikuti do Nepal Weng Chen da China. Ambas já budistas, facilitaram a conversão do rei para o budismo, inclusive trouxeram as primeiras estátuas budistas.

Songtsen Gampo construiu os primeiros templos no Tibete: Jokhan em Lhasa e Changzhug. O Templo de Jokhan foi construido primeiramente para hospedar a estátua mais venerada do Tibete ainda hoje. A estátua de Jowo Shakyamuni trazida pela esposa chinesa do rei. É uma estátua que retrata o Buda com doze anos de idade e se diz que foi com a permissão do próprio Buda que ela foi feita.

Por volta do ano de 755DC o rei Trisong Dechen, oficializou o budismo e convidou mestres famosos para visitar o Tibete. Um deles foi Shantarakshita e Padmasambhava, também conhecido como Guru Rimpoche.

Guru Rimpoche veio da India e introduziu o tantrismo; pacificou os espíritos irados do Bon e os tornou em protetores do Dharma. Ajudou na construção do primeiro monasterio, o de Samye. A escola Nygma se formou – a primeira das quatro linhagens do Vajrayana, como é chamado o budismo tibetano.

 

Foto public domain: Estatua Jowo - no Johkhan, Lhasa.


 

SUPRESSÃO
 

Em 836 o rei Tri Ralpachen, apoiador do budismo, morreu. Seu irmão Langdarma passou a ser o rei, suprimindo o budismo e trazendo o Bon de volta a ser a religião regente. Após alguns anos, Langdarma foi assassinado por um monge. O poder foi dividido entre seus dois filhos e com isso o Tibete se desintegrou entre pequenos reinados.

 

MAHAMUDRA
 

Enquanto o Tibete estava praticamente desintegrado, na India acontecia importantes acontecimentos que seriam muito importantes para o Tibete. O mestre indiano, Tilopa (ca.990) desenvolveu uma pratica de meditação chamada Mahamudra, que brevemente dizendo é um método para reconhecer a intima relação entre mente e realidade. Naropa, um discípulo dele, foi um importante mestre também, consequentemente mestre de um importante tradutor tibetano, Marpa. Marpa viajou do Tibete à India e trouxe muito conhecimento de volta ao Tibete. Ele foi mestre de um dos yogis e poetas mais famosos do Tibete, Milarepa (ca.1040). Um dos discípulos de Milarepa, foi Gampopa que fundou a segunda escola, das quatro de todas, a escola Kagyu.

 

RESSURGINDO
 

Pelo convite do rei Jangchuwo, o professor indiano Atisha veio ao Tibete e através de suas escrituras e influencia, mesmo o Tibete ainda sendo politicamente fragmentado, o budismo começou a ressurgir com nova força.

 

SAKYA E OS MONGÓIS
 

Khon Konchok Gyelpo, um aristocrata da familia Khon e firme praticante de tantra, construiu o monasterio Sakya no sul do Tibete. Seu filho, Sakya Kunga Nyingpo fundou a terceira escola, das quatro de todas, a escola Sakya.

 Em 1200 o exercito mongol de Genghis Khan, invadiu o Tibete. Com isso eles vieram em contato com os Sakyas e convidaram o mestre Sakya Pandita para a corte e através da liberdade de seus ensinamentos, ele convertou Godon Khan, neto de Genghis Khan, para o budismo.

Em 1253, mestre Phagba sucedeu Sakya Pandita e ele foi nomeado por Kublai Khan como o imperador do Tibete. E por mais de cem anos o Tibete foi regido por sucessores da linhagem Sakya até 1358 quando o Tibete central ficou sobre comando da linhagem Kagyu.

 

 

 

GELUG

 

 A quarta escola, de total de quatro, foi a Gelug, fundada pelo estudioso Je Tsongkhapa que também construiu o monasterio de Ganden.

 O terceiro sucessor da escola Gelug for Sonam Gyatso que converteu o lider móngol Altan Khan para o budismo e ele criou o titulo de “Dalai Lama”, baseado no próprio nome de Sonam Gyatso, pois “dalai” em mongol quer dizer “oceano”, pronunciado “gyatso” em tibetano. Esse titulo foi dado como o maior lider dentro da escola Gelug, e como Sonam Gyatso era o terceiro sucessor, ele foi foi entitulado primeiramente como  o 3º Dalai Lama.

Porem foi o 5º Dalai Lama, Lobsang Gyatso (1617-1682) que se tornou líder politico e espiritual do todo Tibete. E assim se sucedeu até o 14º Dalai Lama, Tenzin Gyatso, quando a China comunista invadiu o Tibete em 1950 e ele tomou refugio na India em 1959, onde reside até hoje em exilio na cidade de Dharamsala, norte da India.

 

Foto public domain: Tradicional pintura thangka de Je Tsongkhapa ao centro.

 

 

 

 

 

HISTORIA DA ARTE BUDISTA NA ASIA

 

Buda quer dizer o “desperto”, referindo-se à todos aqueles que despertaram do ‘sono’ da ignorância. Mas o Buda historico é chamado de Buda Sakyamuni, um príncipe nascido na fronteira entre India e Nepal e que abandonou sua vida luxuosa para entender o sofrimento no mundo e a liberação dele.

Buda Sakyamuni nasceu por volta do século 6AC e foi pedido dele que não idolatrassem sua imagem; existem poucas imagens feitas com sua permissão. E até 100AC sua presença era representada por um trono vazio ou por pares de pés descalços marcados pela Roda do Dharma.

Mas quando o imperio grego, Alexandre o Grande conquistou grande parte da Persia e parte do norte da India, cerca de 332AC, houve grande influência da arte grega e sua mitologia e crença em um deus-homem. A escola artistica de Ghandara (hoje parte Paquistão), deu características de um rosto e corpo perfeito ao Buda, como os deuses gregos de cabelos ondulados, olhar perfeitamente sereno e um manto que cobria seus dois ombros e uso de sandálias.

 Durante a época da dinastia Gupta entre sec. IV e V, a escola Mathura, origem inteiramente indiana, desenvolveu estátuas de pedra-sabão rosa que ficou muito conhecida no resto do pais por sua delicadeza e formosidade.

Pelo sec. X a arte budista declinou na India com a predominancia do Islã e do hinduismo. Mas paralelamente ele se desenvolvia na China, Japão, Tibete, Tailandia e outros países no sul da Asia.

 A imagem do Buda dentro de cada linha artística, sempre manteve seu cânon de regras de proporção em relação à perfeição do estado mental, retratado simbolicamente, acima do realismo anatomico. Buda mencionou “Quem ve o Dharma, me vê, quem me vê, vê o Dharma”. Por exemplo, a sola de seus pés são lisas, sem muitas curvas, pois o meio como ele caminha é macio e suave, por isso, podendo dizer que ‘as pedras do caminho’ não moldam seus pés e sim o modo como ele pisa prevalece representado.

 O budismo se espalhava pela Asia toda, os meios artísticos de expressar os ensinamentos do Buda, mesclaram com a arte já estabelecida de cada pais.

 Ha duas importantes artérias, ou conhecido como “veículos” no budismo, o que se expandiu mais ao Norte dos Himalayas como: Nepal, Tibete, Butão, China, Corea, Japão e Vietnam, o budismo Mahayana ficou conhecido. E ao sul, nos países como Burma, Sri Lhanka, Tailandia, Cambodia e Laos, ficou estabelecido o Theravada. E dentro destas mesma, outras veias filosóficas do budismo e da arte se ramificaram.

 Ainda mais com a intensa Rota da Seda, onde mercadores e peregrinos carregavam com sí achados dos outros países. Essa rota que cruzava os Himalyas e parte do oriente médio, contribuiu imensamente para a conscientização dos novos desenvolvimento de artefactos e filosofias.

 

 

 

 ARTE BUDISTA NO TIBET

 

O budismo no Tibete é uma das ramificações dentro da escola Mahayana, conhecido como Vajrayana, ou também Tantrismo. O budismo tantrico praticado na India por volta do sec.5, chegou ao Tibete através do famoso mestre Guru Padmasambhava quando veio ao Tibete pelo convite do rei Trisong Destsen.

No Vajrayana, imagens das deidades e desenho das silabas de mantras são pintadas para apoiar nas meditações de visualização. Mandalas são pintados e também confeccionados tri dimensional com madeira e bronze entre outros materiais. Um Mandala seria a estrutura de um templo onde a divindade mora, quando pintado seria a planta do templo. Toda arte feita com o propósito de apoiar o praticante vajrayana.

 Seu estilo não surgiu unicamente dentro do Tibete, e sim se constitui de uma mistura de estilos que vieram da India, China e Nepal.

 Mas a arte tibetana em seu estilo também reconta historia e aponta personalidades que foram importantes, porem sempre focada no que se direciona à pratica. A arte tibetana não pode ser compreendida sem ter noções do budismo vajrayana.