SENSORIUM

Raji e Yumma Mudra

SENSORIUM é um laboratório permanente destinado a que cada uma das pessoas, em presença da sua própria humanidade, que nele participem, mergulhem em profundidade no tempo, em consciência do espaço.

Graças à dança em si, que é a própria essência da vida, trata-se de uma procura artística do ser, em que o acto de dançar se torna via de conhecimento. 

Os instrumentos de trabalho são propostos com vista a se submergir no tempo do corpo, graças ao sopro (respiração no seu sentido mais amplo), cuja precisão em consciência abre espaços internos e cósmicos: o ritmo e a plenitude permitem descer a um estado de coerência imediato, que deixa de condicionar a acção que espera um determinado resultado, para que esta se abra, pelo contrário, à presença autêntica imediata do sopro, do corpo, das sensações, das inteligências que vão despertando… 

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O resultado torna-se o fruto do processo em cada instante, único à percepção de cada um. A manifestação dos frutos é um outro processo, que consiste no prolongamento invertido e no espaço do discernimento do tempo íntimo do ser.

A Coreosofia reúne o corpo, a energia e a subtileza do pensamento humano numa acção expressiva, em que a sensação precede a emoção, para libertar o ser numa moção simples, profundamente rica, mas precisa, que revela (graças a um compromisso total com o nosso verdadeiro ser) a linguagem simbólica de cada um. 

As inteligências relacionadas com os sistemas fisiológicos do corpo humano despertam, em consciência, desde o primeiro sopro (respiração) da infância, até à descoberta em si próprio de uma pedra filosofal, que é a semente primordial que está na base de todas as formas de existência.

A dança, a respiração, a voz, a dimensão matemática da música e do espaço, a consciência concentrada numa atenção neutra no centro de si mesmo, a dimensão do carácter sagrado da vida e o simbolismo estão presentes desde a primeira dança da humanidade até ao girar que conecta o corpo com as galáxias. 

Do fundo para a forma, o SENSORIUM reúne as ferramentas para aplicar uma função que liga o invisível ao que se manifesta e vice-versa. O processo é alquímico na nudez da descoberta, pessoal, livre de qualquer dogma ou crença, sejam estes quais forem, e APENAS se baseia no próprio processo de vida em si mesmo e em interdependência com o meio ambiente. 

A inspiração e a expiração tornam-se, na íntegra, a «re-espiração» da nossa anatomia. Gradualmente, o ser em dança usa as ferramentas propostas para despertar a sua consciência e para ajustar os aparentes paradoxos do seu corpo ou do seu pensamento numa harmonia já presente (inerente) na fisiologia do seu sistema. O caminho consiste em abrir-se profundamente a uma escuta de si próprio para se tornar imediatamente aquilo que já se é, e manifestá-lo plenamente na sua vida, numa oferenda permanente.


O crisol do treino reúne um conjunto de exercícios que permitem entrar em intimidade com o seu próprio organismo, sem opor o processo instintivo à racionalidade, mas abrindo, pelo contrário, a via intuitiva entre os dois hemisférios do cérebro, dando as asas dos pulmões ao batimento do coração, e ritmando a dança dos diafragmas à pulsação do momento presente.